Eucaristia, gratidão! Eucaristia é Jesus, O Filho é todo gratidão: tudo recebe, tudo entrega. Amor recebido e agradecido! O Pai é o Amor Frontal. O Filho é a imagem do Pai que dá. Ele é o reflexo da gratuidade do Pai. Tudo o que vê fazer o Pai, Ele faz.
Este é o primeiro ponto: Jesus se revela como Amor doação. Veio para dar a vida. Há maior alegria em dar do que em receber. Ao dar a vida mostra o amor que o possui, o seu Espírito. Jesus está totalmente voltado para o Pai e para nós: Corpo entregue, Sangue derramado. Disse: “Desejei ardentemente comer esta Ceia..., para que saibam que amo o Pai”. Essa é a marca do discípulo de Jesus: a doação, a gratuidade. Jesus é todo ser para o Pai e todo para nós. Este é o sentido da Última Ceia: gratuidade do amor do Pai e Amor-doação.
Aprender com Deus o amor-doação. Assim, aprenderemos a doar-nos aos irmãos. Somos consagrados a Deus para a missão. Uma vida cristã consagrada é a atração de ser reflexo da alegria de Jesus-doação. Desde crianças somos atraídos por esta misteriosa vontade de dar tudo. Quem não dá tudo, não dá nada: com o Absoluto não se regateia, dizia o Padre Leonel Franca. Jesus dá tudo. O amor, se não for total, será frágil e transitório.
O núcleo da vida consagrada é a experiência deste absoluto. É a experiência de ser plenamente possuído por Deus. Alegria de ser possuído por este Amor. Razão do voto de castidade! Castidade, celibato, entrega de tudo, coração que se doa plenamente... Somos lançados no mundo para dar vida. Jesus-doação, a alegria da doação: Sou todo teu! Jesus-atração: esse Amor nos faz ser plenamente d’Aquele que nos ama.
Segundo ponto: nas palavras e nos gestos de Jesus há anseio de comunhão e unidade: Nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo, pois participamos todos desse único Pão (1Cor 10,17). A paixão de Jesus é a unidade: Que todos sejam um como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti (Jo 17,21). É experiência de saída de si, união radical: para poder comungar com os outros é necessário sair de si. Esta é a origem, a fonte de estima, respeito, apreço do outro: Sou todo de Deus para os outros. Não só para os outros, mas com os outros.
Jesus nos congrega, nos reúne, nos torna Igreja (qahal). Jesus, na Eucaristia é dinamismo de comunhão: banquete, festa, família! A vida consagrada é ser todo de Deus com os outros: Não há mais judeu ou grego, escravo ou homem livre, homem ou mulher... (Gl 3,28). Nós, discípulos e discípulas de Jesus, nunca podemos ter um projeto de vida intimista.
A Igreja nasce da Eucaristia. Quem nos faz Igreja é Jesus, que nos dá Seu Corpo e Seu Sangue. Deus nos ama a todos, como u’a Mãe ama seus filhos. Estamos unidos, pois somos igualmente amados. Os discípulos de Jesus têm, como sinal, a união: Tendo amado os seus, amou-os até o fim (Jo 13,1). Pessoas diferentes podem sentar-se à mesma mesa. Dizemos: Vou comungar! Isto é: Vou entrar em comunhão!
Aqui está também a segunda marca da vida consagrada: a razão de estarmos juntos em comunidade, apesar de nossas diferenças, é Jesus Cristo. A vida consagrada coloca em evidência a comunhão. A Igreja não nos dispensa de ouvir o amor do Senhor (preceito dominical!). Quem não ouve, quem esquece o Amor, se perde na solidão. A certeza de que somos amados une em comunidade. Hora de reconciliação, hora de perdão, hora de comunhão, hora de sairmos juntos para a missão...
Terceiro ponto: Jesus veio para cumprir uma missão de salvação. Ele veio re-unir o que estava disperso. De dois povos fez um. Jesus, na Eucaristia, cumpre a vontade do Pai, realiza a Sua missão. Obedecer é ouvir a vontade do Pai. O importante é a sintonia de coração: Se é para servir, para ajudar, eu vou! Na Última Ceia, Jesus celebra a nova e eterna Aliança, a alegria de cumprir a missão do Pai: Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito... Tudo está consumado! Entrar em missão! Missão é uma palavra ligada à obediência: Senhor, hoje, para mim, qual é a minha missão? Minha alegria é fazer a vontade do Pai.
Castidade, pobreza, obediência é olhar para Cristo. Jesus sai de Si, entrega-Se ao Pai, e nos reúne em comunhão. Assim, Ele nos leva a cumprir a vontade de Deus. Missão não é apenas pegar a mala e partir para um lugar distante. É cumprir a vontade de Deus: nova dimensão da vida missionária. A vida consagrada é sempre missionária. Teresinha do Menino Jesus, a Irmã lavando pratos, a pessoa inválida... A missão está aí, onde você está. A obediência consiste em sintonizar com o projeto de Deus dia-a-dia.
A Vida consagrada é sempre doação, comunhão e missão. A imitação de Cristo nos faz felizes. A vida consagrada é experiência de Amizade. Jesus nos mostra a alegria de cumprir a vontade de Deus: exultação no Espírito (Mt 11,25). Cristo, todo possuído pela alegria do Pai, antecipação da vida plena...
Jesus parte o pão e o distribui. A partilha: os primeiros cristãos colocavam tudo em comum (ver At 2,42-47: a fração – a partilha - do pão). A Eucaristia coloca em nosso coração a paixão pelo outro, pelo pobre, o que mais precisa:
1. Doação total;
2. Gera dinamismo de comunhão;
3. E nos leva ao serviço.
Quem recebe o Corpo do Senhor, quem entra em comunhão com Ele, tem de servir ao irmão. É sintonia com a quênose de Cristo. Jesus escolheu um estilo de vida solidária com os outros, os pobres, os doentes, os pequenos. A Eucaristia questiona, entre em conflito com injustiça. O serviço é fruto da Eucaristia. Jesus está nos convidando a fazer o quê? Qual é o nosso compromisso? É o compromisso de acabar com a miséria crescente em nosso país. Teríamos de nos organizar melhor. Não falta inteligência. Falta coração.
(...) Que recomendar para o bem dos pobres?
1. Dignidade da pessoa;
2. Reajustar a dívida externa;
3. Lutar contra o racismo;
4. Habilitação tecnológica d ajuventude pobre, pelo estudo;
5. África: criar um fundo de ajuda;
6. Fundo de alimentação para os países pobres.
7. Um paquistanês recomenda a aceitação do amor, a partilha, não estudar demais, não vestir demais e nunca aceitar dinheiro do governo...
Dois testemunhos:
1. Um bispo auxiliar do Vietnã, que passou longos anos preso (n.r.: o depois Cardeal François-Xavier Van Thouin). Pedia um pouco de vinho como remédio, e assim celebrava e comungava todos os dias.
2. Uma religiosa dava de comer a um mendigo. O mendigo jogou a sopa no rosto dela. Ela pegou outro prato de sopa e continuou dando-lhe de comer.
Desigualdade social existe por falta de força da fé: Quem chama Deus de Pai não tem medo nem da morte (Cardeal Martini). Não basta contestar. Precisamos nos examinar: eu, o que estou fazendo para diminuir a injustiça?
Maria, a Primeira Discípula de Jesus, abre o coração para dizer “Sim!” ao projeto do Pai. Coração aberto às necessidades dos irmãos, vamos redescobrir a alegria da doação!
(Artigo de Dom Luciano Mendes de Almeida, SJ 20/01/07)
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Dia dos Pais
Estamos no mês das vocações e no próximo domingo 12/08 estaremos celebrando o dia dos pais, porque ser pai é uma vocação, um dom de Deus. Que Deus possa abençoar a todos os pais, em especial a todos os pais da nossa comunidade. Feliz dia dos Pais! Gostaria de deixar à todos um depoimento(testemunho) de um pai que teve um filho anencéfalo(sem cérebro.
Um pai até o fim:
Anencefalia x Liberdade
Paulo Tominaga
Após ter um filho anencéfalo no ano passado, é com pesar que vejo como o tema tem sido tratado desde a recente decisão de um dos ministros do STF, na qual se assegura às mães o direito de dispor da vida daqueles que venham a gerar. É interessante notar como apenas de modo passageiro se faz referência a estas pequenas pessoas, ficando a tônica da discussão sobre um tal ''direito à liberdade de escolha'' dos adultos envolvidos no caso. Como se a gravidez correspondesse apenas a uma vida - a da mãe -, podendo prescindir da existência do filho.
Este enfoque parece ilustrar como o egoísmo impera em nossa sociedade. Sempre tinha ouvido falar no amor da mãe por seus filhos como o mais excelso tipo de amor possível. E desde os antigos gregos, este costumava ser indicado, para todos, como um ideal a ser alcançado, na relação com os demais.
Hoje, o que parece preponderar como meta é outra espécie de ''amor'', verdadeiro culto religioso, por uma triste caricatura de ''liberdade'', entendida como absoluta falta de compromissos. Não mais se aceita, nem mesmo, o compromisso de se preservar a vida de um filho, se este não puder corresponder às expectativas de seus pais ou - o que é pior - da maioria da sociedade. Neste quadro, fica claro que, para alguns, só se
tem filhos para uma satisfação da auto-estima, como parte de um projeto pessoal ou para que possam, de certa forma, ''divertirem-se'' com as crianças, utilizando-os, como se fossem um objeto qualquer. Se não há a perspectiva de que uma criança venha a proporcionar alegrias aos pais, então é melhor descartá-la o quanto antes - no ventre da mulher, de preferência -, pois assim termina logo esta existência ''insuportável e sem sentido''!
Uma pessoa não pode ser eliminada simplesmente porque não é como nós gostaríamos que fosse. Criam-se teorias e mais teorias para tentar encobrir o óbvio: está se matando uma pessoa, em nome de se ''eliminar os terríveis sofrimentos, verdadeira tortura'', que sua existência causa a sua mãe, a seu pai. Além do mais, dizem, esta criança está condenada à morte, de qualquer forma. Assim, apenas se está antecipando aquilo que naturalmente iria ocorrer em pouco tempo.
Amigos, a criança já terá uma vida breve. Que saibamos respeitá-la. Posso assegurar, por experiência própria, que este caminho conduz a um crescimento grande no amor entre os cônjuges, e na capacidade de se doar aos demais filhos. Filhos que virão, com certeza, como veio para nós neste ano o pequeno Rafael, talvez a demonstração mais palpável de que não há qualquer ''trauma'' no caso, se os pais souberem agir com serenidade.
Se realmente desejam ajudar aos que passam por tais situações, saibam tratar do tema com um enfoque prático que não distorça a realidade mais óbvia, querendo criar teorias para esconder uma vida ou afirmar cegamente que este filho nunca existiu. O problema de saúde, a má formação da criança, é um fato que atualmente não se pode reverter. A questão não está apenas no que se deve fazer durante a gestação. O grande problema, para os pais - e para a mãe, em especial - é como lidar com o fato ocorrido, depois de este período ter acabado. Porque não é possível se esquecer de um filho: ficará para toda a vida a recordação destes dias. E então, ou a mãe irá se lembrar de que, não podendo ajudar seu filho, matou-o, porque ele não era nem poderia vir a ser como se desejava que ele fosse; ou irá se lembrar, com carinho e ternura, de que seu filho, que teve uma breve existência, foi sempre amado e respeitado.
Amem seus filhos. Garanto que vale a pena.
Paulo Tominaga, Mestre em Ciência da Computação, engenheiro pela Unicamp, advogado, atualmente é Consultor do Núcleo Jurídico do PRODASEN - Senado Federal. Tem três filhos, sendo que o segundo, já falecido, era anencéfalo.
Um pai até o fim:
Anencefalia x Liberdade
Paulo Tominaga
Após ter um filho anencéfalo no ano passado, é com pesar que vejo como o tema tem sido tratado desde a recente decisão de um dos ministros do STF, na qual se assegura às mães o direito de dispor da vida daqueles que venham a gerar. É interessante notar como apenas de modo passageiro se faz referência a estas pequenas pessoas, ficando a tônica da discussão sobre um tal ''direito à liberdade de escolha'' dos adultos envolvidos no caso. Como se a gravidez correspondesse apenas a uma vida - a da mãe -, podendo prescindir da existência do filho.
Este enfoque parece ilustrar como o egoísmo impera em nossa sociedade. Sempre tinha ouvido falar no amor da mãe por seus filhos como o mais excelso tipo de amor possível. E desde os antigos gregos, este costumava ser indicado, para todos, como um ideal a ser alcançado, na relação com os demais.
Hoje, o que parece preponderar como meta é outra espécie de ''amor'', verdadeiro culto religioso, por uma triste caricatura de ''liberdade'', entendida como absoluta falta de compromissos. Não mais se aceita, nem mesmo, o compromisso de se preservar a vida de um filho, se este não puder corresponder às expectativas de seus pais ou - o que é pior - da maioria da sociedade. Neste quadro, fica claro que, para alguns, só se
tem filhos para uma satisfação da auto-estima, como parte de um projeto pessoal ou para que possam, de certa forma, ''divertirem-se'' com as crianças, utilizando-os, como se fossem um objeto qualquer. Se não há a perspectiva de que uma criança venha a proporcionar alegrias aos pais, então é melhor descartá-la o quanto antes - no ventre da mulher, de preferência -, pois assim termina logo esta existência ''insuportável e sem sentido''!
Uma pessoa não pode ser eliminada simplesmente porque não é como nós gostaríamos que fosse. Criam-se teorias e mais teorias para tentar encobrir o óbvio: está se matando uma pessoa, em nome de se ''eliminar os terríveis sofrimentos, verdadeira tortura'', que sua existência causa a sua mãe, a seu pai. Além do mais, dizem, esta criança está condenada à morte, de qualquer forma. Assim, apenas se está antecipando aquilo que naturalmente iria ocorrer em pouco tempo.
Amigos, a criança já terá uma vida breve. Que saibamos respeitá-la. Posso assegurar, por experiência própria, que este caminho conduz a um crescimento grande no amor entre os cônjuges, e na capacidade de se doar aos demais filhos. Filhos que virão, com certeza, como veio para nós neste ano o pequeno Rafael, talvez a demonstração mais palpável de que não há qualquer ''trauma'' no caso, se os pais souberem agir com serenidade.
Se realmente desejam ajudar aos que passam por tais situações, saibam tratar do tema com um enfoque prático que não distorça a realidade mais óbvia, querendo criar teorias para esconder uma vida ou afirmar cegamente que este filho nunca existiu. O problema de saúde, a má formação da criança, é um fato que atualmente não se pode reverter. A questão não está apenas no que se deve fazer durante a gestação. O grande problema, para os pais - e para a mãe, em especial - é como lidar com o fato ocorrido, depois de este período ter acabado. Porque não é possível se esquecer de um filho: ficará para toda a vida a recordação destes dias. E então, ou a mãe irá se lembrar de que, não podendo ajudar seu filho, matou-o, porque ele não era nem poderia vir a ser como se desejava que ele fosse; ou irá se lembrar, com carinho e ternura, de que seu filho, que teve uma breve existência, foi sempre amado e respeitado.
Amem seus filhos. Garanto que vale a pena.
Paulo Tominaga, Mestre em Ciência da Computação, engenheiro pela Unicamp, advogado, atualmente é Consultor do Núcleo Jurídico do PRODASEN - Senado Federal. Tem três filhos, sendo que o segundo, já falecido, era anencéfalo.
Assinar:
Postagens (Atom)