| Agosto, mês vocacional - 2008 - Lema: “Família de Deus: Todos chamados à vida e à missão” |
| Agosto, mês vocacional - 2008 Lema: “Família de Deus: Todos chamados à vida e à missão” (Pastoral Vocacional em festa: Celebrando os 25 anos do 1º Ano vocacional no Brasil: 1983 – 2008) “Jesus faz dos discípulos seus familiares, porque compartilha com eles a mesma vida que procede do Pai e lhes pede, como discípulos, uma união íntima com Ele, obediência à Palavra do Pai, para produzirem frutos de amor em abundância” (DA 133). A intimidade proposta por Jesus nos leva a dar uma resposta que entre na dinâmica do Bom Samaritano, fazendo-nos próximos dos marginalizados. “Todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de sua missão, ao mesmo tempo em que o vincula a Ele como amigo e irmão. Cumprir a missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da vocação mesma” (DA 144). Conscientes de nossa pertença à família de Deus, onde “todos os seus membros adquirem igual dignidade e participam de diversos ministérios e carismas”, somos chamados a assumir e viver a vocação e missão específicas. Celebrando os 25 anos do 1º Ano Vocacional, a Igreja no Brasil nos convida, neste mês de agosto, para que oremos, reflitamos e celebremos o chamado e a missão na vida da família, da comunidade e da sociedade. Para isso, nos propõe: 1a. Semana – Vocação para os ministérios ordenados O bispo, como sucessor dos apóstolos, coloca-se a serviço do Povo de Deus, conforme o coração de Cristo Bom Pastor (cf. DA 186) “O presbítero, à imagem do Bom pastor, é chamado a ser homem de misericórdia e compaixão, próximo a seu povo e servidor de todos, particularmente dos que sofrem grandes necessidades” (DA 198). O diácono está a serviço da Palavra, da caridade e da liturgia e é chamado a servir de modo especial os mais necessitados promovendo e acompanhando as ações sociais na comunidade (cf DA 205; 207). 2a. Semana – Vocação para a vida em família A família, pequena Igreja, deve ser junto com a paróquia, o primeiro lugar para a iniciação cristã das crianças. Ela oferece aos filhos um sentido cristão de existência e os acompanha na elaboração de seu projeto de vida, como discípulos missionários (cf DA 302). 3a. Semana – Vocação para a Vida Consagrada É um caminho de especial seguimento de Cristo, para dedicar-se a Ele com coração indiviso e colocar-se, como Ele, a serviço de Deus e da humanidade, assumindo a forma de vida que Cristo escolheu para vir a este mundo: vida virginal, pobre e obediente. A partir de seu ser, a vida consagrada é chamada a ser especialista em comunhão, no interior tanto da Igreja quanto da sociedade. (cf. DA 216). Esse modo de seguir Jesus Cristo se expressa na vida religiosa monástica, contemplativa e missionária, nos institutos seculares, sociedades de vida apostólica e outras novas formas. 4a. Semana – Vocação para os ministérios e serviços na comunidade e na sociedade, especialmente o de Catequista. Todos os fiéis leigos são “os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo”. Pela sua participação no corpo de Cristo são chamados a exercer o tríplice múnus (sacerdotal, profético e régio), por meio de ministérios, realizando sua missão no mundo. Entre os diversos ministérios destaca-se o de catequista. ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES Senhor da Messe e pastor do rebanho faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: “Vem e segue-me”. Derrama sobre nós o teu Espírito, que ele nos dê sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz. Senhor, que a messe não se perca por falta de operários, desperta nossas comunidades para a missão, ensina nossa vida a ser serviço, fortalece os que querem dedicar-se ao Reino na vida consagrada e religiosa. Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores. Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres, diáconos, religiosos e ministros. Dá perseverança a nossos seminaristas. Desperta o coração de nossos jovens para o ministério pastoral em tua Igreja. Senhor da Messe e pastor do rebanho chama-nos para o serviço de teu povo. Maria, Mãe da Igreja, modelo dos servidores dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder o SIM. Amém. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida consagrada
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sábado, 16 de agosto de 2008
Agosto, mês vocacional
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Optar pela vida
Iniciamos a Campanha da Fraternidade 2008. Seu tema é “Fraternidade e Defesa da Vida”, e o lema “Escolhe, pois, a vida”. Vida, por sinal, já foi o tema de várias campanhas da CNBB: Reconstruir a vida (1974), Fraternidade e vida (1984); também aparece em lemas: Para que todos tenham vida (1984), A serviço da vida e da esperança (1998), Vida sim, drogas não (2001), Vida, dignidade e esperança (2003), Água, fonte de vida (2004) e Vida e missão neste chão (2007).
A escolha do tema deste ano é a “expressão da preocupação com a vida humana, ameaçada desde o início pelo aborto até sua consumação com a eutanásia”. Tema preciso e desafiador! Somos colocados diante de uma escolha entre a morte (aborto e eutanásia) e a vida.
O lema se inspira na Bíblia. O povo de Israel se encontrava a caminho da Terra Prometida. Em sua longa peregrinação, foi encontrando vários povos, com os quais devia se relacionar e dialogar. Esses povos tinham outra cultura e outros deuses, aos quais era solicitado a adorar, esquecendo Javé que os havia libertado da escravidão do Egito. Optar por esses deuses significaria esquecer o projeto libertador de Javé e, portanto, a morte. Optar pelo Deus libertador significaria caminhar para a liberdade, e, portanto, para a vida (Dt 30,11ss). Coube ao povo escolher! E o povo - ainda que entre lutas e sacrifícios - escolheu a vida! E foi fiel a Javé e à caminhada libertadora!
Este dilema se coloca para nós hoje no que diz respeito à vida. Estamos vivendo numa cultura, na qual muitos defendem, com base nos atuais conhecimentos científicos sobre a fertilidade humana, uma posição de liberdade quanto à geração de filhos. O argumento é de que o bebê aceito dentro de um planejamento familiar terá melhores condições afetivas e materiais para seu desenvolvimento. Ao contrário, os bebês concebidos em situações de ignorância, imprudência, aventura e irresponsabilidade social não teriam condições ideais de vida. Os que se declaram favoráveis ao aborto afirmam que a defesa da vida, como proposto na Campanha da Fraternidade, é assunto religioso. E a sociedade, ao se autodefinir como laica, pode traçar caminhos próprios, alegando, inclusive, razões de saúde pública.
Entretanto, se contemplarmos o espetáculo maravilhoso da natureza, tudo o que nos encanta - desde as mais pequeninas células de nosso organismo até a grandeza dos astros - e nos dermos conta de que tudo isto “conspira” em favor da vida, não poderíamos deixar de nos interrogar sobre a origem de tudo isto.
Quem nos fala expressamente da origem da vida é a Bíblia. Após criar o mundo, Deus disse que “tudo era bom” (Gn 1,21), e quando criou o ser humano, homem e mulher, disse que “era muito bom” (Gn 1,31). O mundo criado por Deus é belo. Procedemos de um desígnio divino de sabedoria e amor.
O Documento de Aparecida nos ajuda a refletir: “A vida é presente gratuito de Deus, dom e tarefa que devemos cuidar desde a concepção, em todas as suas etapas, até a morte natural, sem relativismos. A globalização influi nas ciências e em seus métodos, prescindindo dos procedimentos éticos. Discípulos de Jesus, temos que levar o Evangelho ao grande cenários delas, promover o diálogo entre ciência e fé e, nesse contexto, apresentar a defesa da vida. Este diálogo deve ser realizado pela ética e em casos especiais por uma bioética bem fundamentada. A bioética trabalha com essa base epistemológica, de maneira interdisciplinar...” (DA, 464-5).
“Assistimos hoje a novos desafios que nos pedem ser voz dos que não têm voz. A criança que está crescendo no seio materno e as pessoas que se encontram no ocaso de suas vidas são exigência de vida digna que grita ao céu. A liberalização e a banalização das práticas abortivas são crimes abomináveis, como também a eutanásia” (DA, 467). O texto base nos convoca ao discernimento sobre: vida, pessoa humana, avanço das ciências, esterilidade conjugal, gestação indesejada, manipulação do embrião, vida afetivo-sexual, pobreza, violência, sofrimento e morte.
Como o Povo de Deus, é preciso optar pela vida. E quem heroicamente fez a opção pela vida de seu bebê foi Santa Gianna Beretta Molla. Nascida em 1922, em Magenta, perto de Milão na Itália, teve ótima educação cristã. Formou-se em medicina e cirurgia pela Universidade de Pavia e se especializou em pediatria na Universidade de Milão.
Em 1955, casou-se com Pietro Molla. Teve 1 filho e 3 filhas. Na gravidez da última, foi descoberto um fibroma no útero. Consciente do problema, levou para frente a gravidez e disse a seu médico: “Se você precisa decidir entre eu e a criança, escolha a criança”. Deu à luz à criança e uma semana depois faleceu, com 39 anos de idade. Foi reconhecida a santidade de sua vida manifestada no heroísmo desta opção pela vida de sua filha. Foi canonizada em 16 de maio de 2004.
Deus nos conceda zelar pela vida e a lutar por políticas públicas em sua defesa, tendo presente neste ano eleitoral, ações que visem garantir o direito à vida, em cumprimento do artigo 5º da Constituição Federal e dar aos idosos dignas condições de vida. Santa Gianna Beretta Molla interceda!
Dom Jacyr Francisco Braido, CS, Bispo de Santos
O que é a quaresma?
A quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrepender de nossos pecados e de mudar algo de nós para sermos melhores e poder viver mais próximos de Cristo.
A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esfoço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que devemos viver como filhos de Deus.
A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal.
Na Quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver a Quaresma como um caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas obras. Nos convida a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que por ação do pecado, nos afastamos mais de Deus.
Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos retirar de nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem a nosso amor a Deus e aos irmãos. Na Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a tomar nossa cruz com alegria para alcançar a glória da ressurreição.
40 dias
A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito.
Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades.
A prática da Quaresma data desde o século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
VOZ DO PASTOR
CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID
Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro
01 de Janeiro de 2008
PERSPECTIVAS PARA 2008
Neste começo de 2008, desejo abordar algumas das perspectivas que nos aguardam para o novo ano, esperando que se realizem da melhor maneira possível. Por parte da própria Igreja Católica, em especial na América Latina e no Caribe, alimentamos grandes expectativas quanto à Evangelização Continental. Cumprindo o intento e a exortação do Papa Bento XVI, buscaremos atuar, quanto possível, os grandes ideais do Documento de Aparecida (texto final da Conferência de Aparecida, maio de 2007).
Para isso, é fundamental uma cuidadosa atenção às Pastorais. Aqui no Rio de Janeiro temos mais de 30 tipos de Pastorais, todas elas de grande importância. Destaco a grande Pastoral da Caridade Social, cujos ideais devem permear todo o trabalho da Igreja, não apenas neste ano, mas permanentemente.
Um dos grandes acontecimentos para a Igreja Católica, em 2008, será o “Ano Paulino”, que terá início no dia 29 de junho próximo, Solenidade de São Pedro e São Paulo. Foi instituído pelo Papa Bento XVI, em comemoração ao bimilésimo aniversário de nascimento do grande “Apóstolo dos Gentios”. Segundo os exegetas, São Paulo teria nascido entre os anos 5 a 8 da era cristã. Embora não se possa fazer coincidir exatamente a data, o importante é lembrarmos a figura daquele que foi o maior evangelizador, depois de Jesus Cristo, e um dos melhores teólogos do Novo Testamento. Introdutor do estilo epistolar nos textos revelados, suas Cartas são praticamente reflexões teológicas, dedicadas às comunidades que fundou e que pôde assistir.
Inspirado nesta temática, teremos o tradicional Curso para os Bispos que, anualmente, se realiza em nossa Arquidiocese. Já contamos com mais de 100 representantes do Episcopado Brasileiro. Estaremos reunidos, na última semana do mês de janeiro, para estudo, reflexão e partilha sobre São Paulo, o grande Apóstolo e modelo de Bispo e Missionário.
Para a Igreja no Brasil, a Quaresma será marcada pela forte temática da Campanha da Fraternidade 2008: “Fraternidade e Defesa da Vida”. A vida é o mais precioso dom de Deus e, por isso mesmo, deve ser preservada e defendida, desde a concepção até o seu termo natural. Em todas as suas fases, não poderiam faltar a qualidade necessária à sua conservação, nem a dignidade própria do ser humano. A 46ª Assembléia Geral da CNBB, em abril próximo, certamente vai abordar este problema.
Repito o apelo que já fiz, em diversas outras ocasiões, aos senhores legisladores, aos nossos governantes e aos formadores de opinião na mídia: jamais tomem qualquer posição que seja contrária à vida, nas suas diversas etapas, pois isto será sempre um ato de violência. Mesmo que não se atente diretamente contra a vida, pode-se ameaçá-la pela omissão diante dos abusos ou pela aprovação de práticas condenáveis, como o aborto e a eutanásia.
Aqui entra o problema da assistência aos enfermos. Não se pode falar de vida, sem abordar esse problema. A Arquidiocese do Rio de Janeiro mantém um grande número de obras de caráter assistencial aos enfermos, geralmente sob os cuidados de Congregações religiosas, inclusive em convênio com órgãos governamentais.
Somente para destacar um outro aspecto de nossas iniciativas nessa área, lembro o Encontro interreligioso que foi promovido, no Santuário do Cristo Redentor, dia 1º de dezembro passado. Estiveram presentes representantes da Igreja Católica, de outros credos religiosos e de órgãos do governo, exatamente para somar esforços, no sentido de combater e superar essa quase epidemia mundial da Aids.
Ao falarmos de “ano novo”, deveríamos falar de “ano renovado”. Em que se há de renovar o nosso mundo? Em primeiro lugar, na família. Hoje há uma destrutiva tendência a se desvalorizar a família, ou a descaracterizá-la de seu modelo autêntico, o único desejado e ensinado por Deus, na sua palavra revelada. A família é um lugar central da história, e também da própria fé. Por isso, o Papa João Paulo II dizia: “Pela família passa o futuro da humanidade e o próprio futuro da Igreja”.
Outra dimensão de nosso mundo a ser renovada é o interesse pelo bem comum. O bem comum deve ser a base da política. Em outras palavras, a política é a arte e o dever do bem comum. Precisamos desenvolver o senso do bem comum e da cidadania em nosso povo, a partir do respeito às simples normas da convivência social, até chegarmos às posturas éticas e morais de justiça e honestidade, que devem nortear nossas mais profundas opções.
Dentre as perspectivas de renovação para 2008, não poderia faltar a Comunicação Social. Sobre isso, reporto-me a documentos oficiais do Magistério da Igreja e ao próprio ensino da Doutrina Social da Igreja. A mídia, em primeiro lugar, deve ser objetiva, sem jamais ceder a interesses particulares, em função de maiores índices de audiência e, conseqüentemente, de aumento de lucros. Não basta informar, é preciso formar. Apelo aos grandes responsáveis pela mídia, que atentem ao problema, diante do qual têm enorme responsabilidade. Sua atuação atinge um número quase incalculável de pessoas e contribui para a formação de consciências e de comportamentos, implicando em questões éticas e sociais.
O novo ano nos desafia a vivermos a vida nova que Cristo veio trazer, com seus ideais de verdade, justiça e fraternidade. Mas Cristo nos chama a praticar tudo isso na alegria. Basta de tristeza! Aliás, permitam-me lembrar a vocês cariocas, e a todos os brasileiros: somos um povo alegre. O próprio Hino Nacional expressa esta nossa característica. “Deitado eternamente em berço esplêndido” não é sinônimo de apatia. Pelo contrário, significa a força das nossas origens, suscitando-nos a agir, construindo nossa história e nossa cultura na paz e na fraternidade. Busquemos eliminar tudo o que possa conspirar contra estes ideais, para que venha a nós o Reino de Cristo: Reino de vida plena e bela, digna de ser vivida.
Estas são algumas das nossas perspectivas para o ano que começa. Tenhamos fé na realização de nossos planos e tenhamos amor por todos. Acima de tudo, confiemos ao Autor e Provedor de toda boa obra os nossos projetos, pois nEle tudo deve começar e encontrar o seu arremate perfeito. Este é o 2008 que desejo a todos, irmãos e irmãs em Cristo.
CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID
Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro
01 de Janeiro de 2008
PERSPECTIVAS PARA 2008
Neste começo de 2008, desejo abordar algumas das perspectivas que nos aguardam para o novo ano, esperando que se realizem da melhor maneira possível. Por parte da própria Igreja Católica, em especial na América Latina e no Caribe, alimentamos grandes expectativas quanto à Evangelização Continental. Cumprindo o intento e a exortação do Papa Bento XVI, buscaremos atuar, quanto possível, os grandes ideais do Documento de Aparecida (texto final da Conferência de Aparecida, maio de 2007).
Para isso, é fundamental uma cuidadosa atenção às Pastorais. Aqui no Rio de Janeiro temos mais de 30 tipos de Pastorais, todas elas de grande importância. Destaco a grande Pastoral da Caridade Social, cujos ideais devem permear todo o trabalho da Igreja, não apenas neste ano, mas permanentemente.
Um dos grandes acontecimentos para a Igreja Católica, em 2008, será o “Ano Paulino”, que terá início no dia 29 de junho próximo, Solenidade de São Pedro e São Paulo. Foi instituído pelo Papa Bento XVI, em comemoração ao bimilésimo aniversário de nascimento do grande “Apóstolo dos Gentios”. Segundo os exegetas, São Paulo teria nascido entre os anos 5 a 8 da era cristã. Embora não se possa fazer coincidir exatamente a data, o importante é lembrarmos a figura daquele que foi o maior evangelizador, depois de Jesus Cristo, e um dos melhores teólogos do Novo Testamento. Introdutor do estilo epistolar nos textos revelados, suas Cartas são praticamente reflexões teológicas, dedicadas às comunidades que fundou e que pôde assistir.
Inspirado nesta temática, teremos o tradicional Curso para os Bispos que, anualmente, se realiza em nossa Arquidiocese. Já contamos com mais de 100 representantes do Episcopado Brasileiro. Estaremos reunidos, na última semana do mês de janeiro, para estudo, reflexão e partilha sobre São Paulo, o grande Apóstolo e modelo de Bispo e Missionário.
Para a Igreja no Brasil, a Quaresma será marcada pela forte temática da Campanha da Fraternidade 2008: “Fraternidade e Defesa da Vida”. A vida é o mais precioso dom de Deus e, por isso mesmo, deve ser preservada e defendida, desde a concepção até o seu termo natural. Em todas as suas fases, não poderiam faltar a qualidade necessária à sua conservação, nem a dignidade própria do ser humano. A 46ª Assembléia Geral da CNBB, em abril próximo, certamente vai abordar este problema.
Repito o apelo que já fiz, em diversas outras ocasiões, aos senhores legisladores, aos nossos governantes e aos formadores de opinião na mídia: jamais tomem qualquer posição que seja contrária à vida, nas suas diversas etapas, pois isto será sempre um ato de violência. Mesmo que não se atente diretamente contra a vida, pode-se ameaçá-la pela omissão diante dos abusos ou pela aprovação de práticas condenáveis, como o aborto e a eutanásia.
Aqui entra o problema da assistência aos enfermos. Não se pode falar de vida, sem abordar esse problema. A Arquidiocese do Rio de Janeiro mantém um grande número de obras de caráter assistencial aos enfermos, geralmente sob os cuidados de Congregações religiosas, inclusive em convênio com órgãos governamentais.
Somente para destacar um outro aspecto de nossas iniciativas nessa área, lembro o Encontro interreligioso que foi promovido, no Santuário do Cristo Redentor, dia 1º de dezembro passado. Estiveram presentes representantes da Igreja Católica, de outros credos religiosos e de órgãos do governo, exatamente para somar esforços, no sentido de combater e superar essa quase epidemia mundial da Aids.
Ao falarmos de “ano novo”, deveríamos falar de “ano renovado”. Em que se há de renovar o nosso mundo? Em primeiro lugar, na família. Hoje há uma destrutiva tendência a se desvalorizar a família, ou a descaracterizá-la de seu modelo autêntico, o único desejado e ensinado por Deus, na sua palavra revelada. A família é um lugar central da história, e também da própria fé. Por isso, o Papa João Paulo II dizia: “Pela família passa o futuro da humanidade e o próprio futuro da Igreja”.
Outra dimensão de nosso mundo a ser renovada é o interesse pelo bem comum. O bem comum deve ser a base da política. Em outras palavras, a política é a arte e o dever do bem comum. Precisamos desenvolver o senso do bem comum e da cidadania em nosso povo, a partir do respeito às simples normas da convivência social, até chegarmos às posturas éticas e morais de justiça e honestidade, que devem nortear nossas mais profundas opções.
Dentre as perspectivas de renovação para 2008, não poderia faltar a Comunicação Social. Sobre isso, reporto-me a documentos oficiais do Magistério da Igreja e ao próprio ensino da Doutrina Social da Igreja. A mídia, em primeiro lugar, deve ser objetiva, sem jamais ceder a interesses particulares, em função de maiores índices de audiência e, conseqüentemente, de aumento de lucros. Não basta informar, é preciso formar. Apelo aos grandes responsáveis pela mídia, que atentem ao problema, diante do qual têm enorme responsabilidade. Sua atuação atinge um número quase incalculável de pessoas e contribui para a formação de consciências e de comportamentos, implicando em questões éticas e sociais.
O novo ano nos desafia a vivermos a vida nova que Cristo veio trazer, com seus ideais de verdade, justiça e fraternidade. Mas Cristo nos chama a praticar tudo isso na alegria. Basta de tristeza! Aliás, permitam-me lembrar a vocês cariocas, e a todos os brasileiros: somos um povo alegre. O próprio Hino Nacional expressa esta nossa característica. “Deitado eternamente em berço esplêndido” não é sinônimo de apatia. Pelo contrário, significa a força das nossas origens, suscitando-nos a agir, construindo nossa história e nossa cultura na paz e na fraternidade. Busquemos eliminar tudo o que possa conspirar contra estes ideais, para que venha a nós o Reino de Cristo: Reino de vida plena e bela, digna de ser vivida.
Estas são algumas das nossas perspectivas para o ano que começa. Tenhamos fé na realização de nossos planos e tenhamos amor por todos. Acima de tudo, confiemos ao Autor e Provedor de toda boa obra os nossos projetos, pois nEle tudo deve começar e encontrar o seu arremate perfeito. Este é o 2008 que desejo a todos, irmãos e irmãs em Cristo.
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